Lisboa : Médico morreu com Covid-19

Um médico de 68 anos morreu, esta quinta-feira, nos cuidados intensivos do hospital de São José, em Lisboa. Estava internado há mais de um mês, com covid-19.

É a primeira morte de um médico vítima de covid-19 em Portugal.

Especialista em medicina geral e familiar, trabalhava no serviço de gastrenterologia do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, e estava internado há 46 dias nos cuidados intensivos do hospital de São José, segundo o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha.

Lamentando esta morte – a primeira de que há conhecimento entre profissionais de saúde em Portugal -, Roque da Cunha aponta o dedo à forma como diz que tem sido “desvalorizada” a progressão da epidemia no nosso país e, particularmente, entre os profissionais de saúde, que reclama que deviam ser mais testados

“O problema não está controlado nem desaparecido”, insiste o médico, revelando que ele próprio segue mais de 21 doentes infetados no centro de saúde onde trabalha nos arredores de Lisboa e defendendo que “por cada doente infetado, há 30 que precisam de algum acompanhamento e vigilância”.

Muito crítico da atuação do delegado de saúde pública em Lisboa e Vale do Tejo, Mário Durval, o secretário-geral do SIM insiste que “a situação está muito longe de estar controlada” na região e ataca o discurso das autoridades. “Ao dizer-se que está tudo bem, o sinal que se está a passar à população é que é ‘tudo à vontadinha'”, diz.

Em matéria de infeções entre médicos, Roque da Cunha insiste que o número do Ministério da Saúde está subavaliado. “É 500 há mais de três semanas”, diz, dizendo que o SIM estima que, só entre médicos, haja mais de 650 infetados. O secretário-geral do SIM aponta também o dedo à norma que prevê que estes profissionais só sejam testados depois de estarem sintomáticos ou de terem tido contacto com pessoas com sintomas. “É um disparate. Há muitos assintomáticos”, diz, insistindo que tem de haver mais testes e dando o exemplo do que está a suceder no IPO de Lisboa. Depois dos casos positivos detetados entre profissionais de saúde na Hematologia, garante que já foram identificados novos casos nos serviços de Cirurgia e Anestesiologia o que “não protege os doentes”.